sexta-feira, 11 de julho de 2008

o SEGREDO E A CHAVE


eRAM ENVOLVENTES. aS PAREDES ERAM ALTAS E BRANCAS. aPESAR DA ARQUITETURA MODERNA, AS LINHAS REMETIAM A UM EXPOENTE MEDIEVAL. a IGREJA ESTAVA SILENCIOSA E SUA BRANCURA E IMPONÊNCIA FIZERAM O MENINO SE SENTIR INFERIOR. tALVEZ ESSA FOSSE A DESCULPA DELE, A DESCULPA DO MOTIVO DOS PÊLOS DO BRAÇO DELE ESTAREM TÃO OURIÇADOS. o QUE O FAZIA TREMER MESMO ERAM AS SUAS AUTO-CRÍTICAS. dE QUATRO A CINCO PESSOAS NA FILA DE ESPERA DO CONFESSIONÁRIO - TEMPO SUFICIENTE PARA ELE REVER AS PALAVRAS QUE FUGIRIAM DO SEU ESTÔMAGO A QUALQUER MOMENTO. eLE TOMOU FÔLEGO E REPENSOU NAS PALAVRAS EXATAS. iSSO FEITO, FOI PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL ELE NÃO COMEÇAR A REVIVER OS ERROS QUE IRIAM SER REVELADOS NAQUELA TARDE A UM ESTRANHO. eLE NUNCA TINHA IDO ÀQUELA IGREJA, EMBORA JÁ TIVESSE OUVIDO FALAR MUITO DELA. eLE VESTIA ROUPAS DE UM GAROTO, SENTAVA COMO UM GAROTO, SOLUÇAVA COMO UM GAROTO, MAS O SENTIMENTO DE CULPA FORJADO NO CORAÇÃO DELE ERA ORIUNDO DE UM PEITO MADURO. nÃO QUE O ATO TENHA SIDO MONSTRUOSO, MAS A CULPA, A CONSEQUÊNCIA NOS SEUS SONHOS FIZERAM-O REAVALIAR OS SEUS MODOS. nA IDADE DELE NÃO ERAM MAIS ADMITIDAS AS MENINICES QUE ELE COMETIA. aTÉ MESMO O GAROTO-HOMEM SABIA DISSO. oS SEUS ATOS OBRIGAVAM OS SEUS PÉS A VAGAREM PELA IGREJA VAZIA, QUE TINHA O MÁRMORE COMO TAPETE. eLE ESTAVA A DOIS PASSOS DA PORTA, ELE PODERIA...mAS NÃO...aS LÁGRIMAS COMEÇARAM A SURGIR NOS OLHOS DELE QUANDO ANUNCIARAM A SUA VEZ. qUE PECADO?! uM LONGO CAMINHO A PERCORRER, DESDE A PORTA ATÉ A SALINHA DE SEGREDOS. eLE PERCEBEU QUE A PORTA NÃO TINHA FECHADURA, SÓ MAÇANETA. "Será que alguém mais escutará o meu segredo?". tOMOU CORAGEM E ENTROU MESMO ASSIM, ERA AGORA OU NUNCA PARA ELE. aVISTOU UMA BATINA E UMA FACE AMIGÁVEL E JOVEM, MAIS JOVEM QUE ELE IMAGINARA. mAS SE SEGREDOS ANTIGOS E EMPOEIRADOS FOSSEM FÁCEIS DE EXTERIORIZAR, SERIAM ANUNCIADOS A TODO MOMENTO. eSSE ERA UM VELHO SEGREDO, MAS QUE O ATORMENTARA TANTO E DE FORMA TÃO NEFASTA QUE NÃO HOUVE ESCAPATÓRIA: ELE TINHA QUE CONTAR A UM SER VIVENTE E RACIONAL. oS CABELOS COMEÇARAM A COÇAR, A ROUPA PARECIA QUENTE DEMAIS, SUA PELE VIROU PURO ÓLEO NAQUELE MOMENTO, SEUS DEDOS DOS PÉS PARECIAM TER DESAPARECIDO DENTRO DO TÊNIS. sERÁ QUE DAVA PARA SER OUTRO DIA? qUANTO TEMPO MAIS ISSO DEVERIA SER ADIADO? eNCHEU OS PULMÕES DE AR, SEU PEITO SUBIU E DESCEU EM UM SEGUNDO, E QUANDO SEUS LÁBIOS ROUBARAM A CORAGEM DAS PAREDES DO ESÔFAGO, QUANDO SONS ARTICULADOS COMEÇARAM A SEREM PROFERIDOS, ELE CAIU DA CADEIRA E SE DISSOLVEU NO CHÃO DO CONFESSIONÁRIO. dEPOIS DE TODO O ALVOROÇO, FORA ENCONTRADO NO BOLSO DELE UM BILHETE E UMA CHAVE. o BILHETE DIZIA QUE ELE, ANTES DE SAIR DE CASA, HAVIA TOMADO UM VENENO QUE DEIXAVA O SER QUE O INGERIU COM APENAS ALGUNS MINUTOS DE VIDA E QUE SE POR ACASO ELE MORRESSE ANTES DE CONTAR QUALQUER COISA, ERA PORQUE O DESTINO TOMARIA A SUA VEZ DE FALAR. oU SEJA, ESSE SEGREDO NÃO DEVERIA SER SABIDO DE NINGUÉM. dEVERIA SER ESQUECIDO ASSIM COMO O ÚLTIMO LIVRO, DA ÚLTIMA PRATELEIRA DA BIBLIOTECA. a CHAVE? bEM, ATÉ HOJE NINGUÉM SABE QUE BOCA ELA FECHA. mAS POR BOA FÉ, NINGUÉM OUSOU DESCOBRIR O SEU SEGREDO.
Ele tinha 18 anos, assim como eu. Estranho não?

Um comentário:

william disse...

ele não morreu! aquele desespero todo passa fácil...

[coincidência, não?!]