quinta-feira, 17 de julho de 2008

FALSO aMOR


Ela era uma simples maruja
Carregava as cargas mais pesadas do navio
Senti pena do líquido quente e salgado,
que percorria a sua linda tez
Ela olhava para mim como se eu fosse distante
Eu, Almirante Mor

Tirei-a daquela vida
Dei copo, lambidas e gesticulações
Ela passou a somente limpar o convés
Eu, ainda assim, senti pena
Eu, Vice-Almirante

Tirei-a da labuta indecente
Dei óculos, destino e sonho de padaria
Ela olhava pra mim de maneira mais amistosa
Eu ainda sentia pena e até achei que ela era melhor que eu
Eu, Suboficial

Tirei-a do trabalho árduo
Dei meus verdadeiros átrios e venosos
Ela agora me olhava como superior a mim
Eu, agora, senti pena de mim
Eu, marujo

Tirei-me do vácuo
Dei-me vela, incenso e um biscoito da sorte
Ela agora...bem, de quem estamos falando mesmo?
Ela, FALSO aMOR
Eu nunca tinha me notado no balanço do mar
Eu, Almirante-Mor



Esse poema foi inspirado numa amiga e no novo blog dela. Para quem escreve, um novo blog é uma nova vida.
"Any, que os navios da nossa vida se ocupem dos bons marujos"
Essa foto foi tirada por mim, as margens do rio São Francisco, no município de Pão de Açúcar/AL.


Um comentário:

Anyelle disse...

sim! meu anjinho...um novo blog...uma nova vida!apesar de gostar muito dos poemas do seu escurinho mimetrico, desejo que tbm enha essa experiência, mudar o que ha de errado em sua vida, mudar as coisas que te impedem de ser feliz, fazê-las desaparecer!e não soh escrever poemas e textos iluminados pela aura de um novo ser, mas fazer essa nova aura brilha a cada dia mais!*_*