segunda-feira, 23 de junho de 2008

dEPENDÊNCIA QUÍMICA




dESCEU AS ESCADAS, PUXOU RÁPIDO AS CHAVES DO BOLSO E TRANCOU A PORTA DE CASA. sAIU AS PRESSAS PORQUE, PELA PRIMEIRA VEZ EM MESES, RECEBEU UMA LIGAÇÃO DE UM AMIGO DISTANTE, A QUEM ELE DEVOTAVA MUITA ADMIRAÇÃO. nOSSO HERÓI É POR DEMAIS DEPRESSIVO. pENSA QUE NINGUÉM O AMA COMO DEVERIA SER AMADO, MAS SEMPRE FOI PRESTATIVO COM OS QUE SUPLICAVAM PELA A SUA AJUDA. pEGOU O ÔNIBUS E SENTOU NO BANCO DE TRÁS, MAS, MUITO ANTES DISSO, REFLETIRA SOBRE A VIDA QUE ELE USURPAVA: A VIDA QUE ELE ESTAVA DESPERDIÇANDO. cHEGOU A TRISTE CONCLUSÃO DE QUE NÃO ERA FELIZ..."Eu não sou feliz, não tenho sido!" a ATENÇÃO DE UM AMIGO SE APRESENTAVA COMO UMA NOVA LUBRIFICAÇÃO NOS OLHOS SECOS E INCHADOS DELE. nÃO PODERIA, NEM SE DESEJASSE, PERDER A OPORTUNIDADE DE SER ÚTIL. a RESPONSABILIDADE SEMPRE TILINTOU NO PEITO DELE, COMO SINOS DE IGREJA QUE SEMPRE LEMBRAM A HORA DA MISSA. dURANTE A VIAJEM, VIBRA O CELULAR NO BOLSO - ERA O AMIGO, PERGUNTANDO SE ELE REALMENTE VIRIA. cLARO QUE ELE IRIA, NÃO PERDERIA A OPORTUNIDADE DE VIVER, AFINAL, SUA VIDA SEMPRE HAVIA SE RESUMIDO A VIDA DOS OUTROS. a VOZ DO AMIGO, DO OUTRO LADO DA LINHA, PARECIA MESMO COM AS SÚPLICAS DE ALGUÉM QUE PRECISA DE UM RUMO. mAS, QUEM PRECISA DE UM DESTINO: NOSSO HERÓI OU O AMIGO DISTANTE? o ENCONTRO ERA NUMA LIVRARIA, ONDE TAMBÉM SERVIAM CAFÉS E CROISSANTS MARAVILHOSOS. oS LIVROS, CONTUDO, SEMPRE PARECERAM MAIS ATRAENTES. dO PONTO ONDE ELE DESCERIA ATÉ A LIVRARIA DEMORARIA UNS 2 MINUTOS PARA CHEGAR, SERIAM DOIS QUARTEIRÕES. a LIVRARIA TINHA UMA VITRINE, DE ONDE SE DAVA PARA VER OS CLIENTES. "Lá está ele!". o AMIGO O VIU E ACENOU, UM SORRISO ABRIU-SE EM AMBAS AS BOCAS, ERA COMO SE TUDO HOUVESSE ACABADO E ELES SIMPLESMENTE TIVESSEM SE ENCONTRADO OCASIONALMENTE. a ÚNICA COISA QUE OS SEPARAVAM ERA UMA RUA E UM PEDAÇO DE VIDRO. a FELICIDADE FOI TÃO CONTAGIANTE QUE NOSSO HERÓI CEGOU PARA TUDO AO SEU REDOR, PENA O TUDO NÃO TER CEGADO JUNTO. eLE AGORA SE ENCONTRA NO ASFALTO, SUFOCADO PELO SANGUE EM SUA GARGANTA, O AMIGO CORREU POR ENTRE AS PRATELEIRAS DE NELSON'S RODRIGUES E MACHADO'S DE ASSI'S. aO CHEGAR JUNTO AO NOSSO HERÓI, SÓ PÔDE OUVIR SUSSURROS: "Um último beijo! É só o que peço, um último beijo para que minha vinda não tenha sido em vão!". bEIJO SELADO. uMA VIDA DESPERDIÇADA ESTIRADA NA AVENIDA. o CARRO QUE O ATROPELOU NÃO PAROU PARA VER SE AINDA EXISTIA VIDA NAQUELE HERÓI, DEPENDENTE DAS QUÍMICAS DA FELICIDADE DOS OUTROS.




Esse mini-conto foi inspirado no filme "O Beijo no Asfalto", com Tarcísio Meira, Ney Latorraca e Cristiane Torlone, baseado no livro, de mesmo nome, de Nelson Rodrigues

4 comentários:

Rivângela_Santana disse...

Caraca, vai dando uma aflição. e é muito frustrante.

Adorei, Ben-Hur.

Juliana dos Anjos disse...

Adorei tudo por aqui, Ben!
Sou fã das suas fotos. :D
Um beijo :*

Sarinha disse...

Beeeen, que bom que vc descobriu e gostou do meu blog! :D
fiqueei tao feliz de ver o seu! muuito bom! ^^
e fiquei muuito feliz tb pq vc add o meu aqui!... como eu iria nao gostar?!
Beeijos!

Sarinha disse...

Tinha feeito um comentario aqui... mas nao apareceu! o.O
Enfim, que bom que vc descobriu e gostou do meu blog! Que bom que vc add tb! Como eu iria nao gostar?! :D
fiquei feliz de ver o seu tb! adoooreei!
voltareei! :D

beeijos!